O mercado global de data centers vive um momento de expansão sem precedentes, e o Brasil está no centro dessa transformação. Segundo relatório divulgado pela agência de classificação de risco Moody’s Ratings, pelo menos US$ 3 trilhões (R$ 15,7 trilhões) devem ser direcionados a investimentos relacionados a data centers nos próximos cinco anos em todo o mundo, impulsionados principalmente pelo avanço acelerado da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de serviços em escala global.
Esse volume expressivo de capital reforça o papel estratégico da infraestrutura digital para a economia contemporânea e posiciona países com condições estruturais favoráveis como candidatos naturais a hubs globais de dados. Nesse cenário, o Brasil desponta não apenas como líder regional, mas como um mercado com alto potencial de crescimento e relevância internacional.
O avanço do mercado de data centers no Brasil
Atualmente, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking mundial de data centers e lidera o mercado da América Latina, concentrando cerca de 50% de toda a infraestrutura instalada na região. O país reúne aproximadamente 200 empreendimentos em operação e projeta investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões até o ano de 2029, refletindo um ritmo acelerado de expansão da capacidade instalada.
Esse crescimento está diretamente relacionado à maior demanda por serviços digitais, plataformas em nuvem, aplicações de inteligência artificial, sistemas financeiros, serviços públicos digitais e ambientes corporativos que exigem alta disponibilidade, segurança e desempenho contínuo.
O que são data centers e por que são estratégicos?
Data centers, ou centros de processamento de dados, são instalações físicas ou virtuais que concentram servidores, sistemas de armazenamento e infraestrutura de rede responsáveis por processar, armazenar e gerenciar grandes volumes de dados de forma segura e ininterrupta. Na prática, funcionam como o verdadeiro “cérebro” do mundo digital, garantindo que sites, aplicativos, plataformas de streaming, sistemas bancários, redes sociais, serviços governamentais e soluções baseadas em IA estejam sempre disponíveis 24×7.
À medida que a economia digital avança, cresce também a necessidade por infraestruturas robustas, resilientes, energeticamente eficientes e com alto nível de confiabilidade, características essenciais para sustentar a transformação digital em larga escala.
Projeções globais e o papel do capital privado
De acordo com a Moody’s Ratings, o enorme fluxo de capital previsto para o setor deve apoiar diretamente o boom da inteligência artificial e da computação em nuvem. Os investimentos estarão distribuídos entre servidores, equipamentos de computação, instalações físicas de data centers e expansão da capacidade energética.
Embora os bancos sigam exercendo um papel proeminente no financiamento desses projetos, a agência destaca que investidores institucionais devem participar de forma cada vez mais ativa ao lado das instituições financeiras tradicionais, em razão das elevadas exigências de capital envolvidas nesse tipo de infraestrutura.
Fatores estruturais que favorecem o Brasil
O Brasil reúne um conjunto de vantagens competitivas que sustentam seu crescimento no setor de data centers. Entre os principais fatores estruturais estão:
- Ampla oferta de energia renovável, elemento-chave para operações sustentáveis
- Rede de cabos submarinos e conectividade internacional estratégica, facilitando o tráfego global de dados
Esses elementos fortalecem o posicionamento do país como um ambiente atrativo para investimentos de longo prazo em infraestrutura digital.
Data centers como eixo da política industrial e digital
Reconhecendo a importância estratégica do setor, o Ministério das Comunicações tem atuado para consolidar o Brasil como referência mundial em infraestrutura de data centers. A iniciativa está estruturada na Política Nacional de Data Centers (PNDC), vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), que trata os data centers como um pilar central da transformação digital do país.
A política tem como objetivos principais:
- Garantir segurança jurídica aos investimentos
- Promover eficiência energética
- Estimular a formação de mão de obra especializada
- Integrar os data centers às cadeias industriais nacionais
Com essas políticas, o governo federal busca preparar o ambiente regulatório e institucional para a chegada desses grandes investimentos, defendendo que o Brasil se torne um polo de integração de soluções digitais e serviços de data centers.
Redata e estímulos ao desenvolvimento regional
Ainda nesse contexto de incentivo público, foi criado o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos, com atenção especial às regiões menos atendidas do país.
O programa oferece isenções de PIS/Pasep, Cofins e IPI para aquisição de equipamentos destinados à implantação, ampliação e manutenção de data centers. Como contrapartida, as empresas beneficiadas devem investir 2% dos recursos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil e reservar ao menos 10% da capacidade de serviços para o mercado interno.
O Redata integra a PNDC dentro da Missão 4 da Nova Indústria Brasil em Transformação Digital, criando um marco regulatório voltado ao fortalecimento de áreas estratégicas da Indústria 4.0, como computação em nuvem, inteligência artificial e Internet das Coisas.
Infraestrutura crítica, confiança digital e o papel do ecossistema
O crescimento acelerado do mercado de data centers reforça a necessidade de infraestruturas confiáveis, seguras e previsíveis, especialmente para empresas que operam serviços digitais críticos. Sendo assim, a Soluti que atua diretamente com soluções de identidade digital, certificação e segurança da informação, depende de ambientes de alta disponibilidade para garantir a continuidade e a confiabilidade de suas operações.
Essa necessidade é atendida por meio da Everest Digital, do Grupo Soluti, que opera seu data center com capital 100% nacional, preparado para a era da inteligência artificial e alinhado às diretrizes do Redata. A Everest Digital contribui para o fortalecimento da soberania digital brasileira, protegendo dados estratégicos e assegurando padrões elevados de segurança, desempenho e previsibilidade operacional.
Além disso, a atuação da Everest Digital em debates estratégicos com o governo federal, como audiências no Senado sobre inteligência artificial e parcerias com Ministérios, reforça ainda mais seu papel como agente ativo na construção de políticas públicas e no avanço estrutural do setor de data centers no Brasil.
Um pilar para o futuro digital do país
O cenário projetado para os próximos cinco anos confirma que os data centers são muito mais do que infraestrutura tecnológica, eles são ativos estratégicos para a economia digital, a inovação e a soberania de dados. Com um ambiente regulatório em consolidação, vantagens estruturais relevantes e participação ativa do setor privado, o Brasil avança para se consolidar como hub regional e candidato a protagonista global na infraestrutura de dados.

